sexta-feira, 18 de julho de 2008

Israel, Palestina- verdades sobre um conflito- 2





A Inglaterra era uma potência colonial, com presença no Médio oriente. Quase no final da 1º Grande Guerra Mundial (1917), o ministro inglês, Arthur James Balfour, assinou uma declaração que ficou conhecida como”Declaração Balfour”.
O objectivo daquela declaração era compatibilizar os interesses dos judeus com os árabes (Ver nota 1).
Pelo lado dos judeus acolhe a visão sionista(2).Na verdade a influência dos judeus (3) era tida como muito acentuada e pretendia-se desencorajar quer os judeus americanos, tidos como simpatizantes do império austro-húngaro (aliado da Alemanha) , quer os judeus da Rússia que eram militantes das organizações revolucionárias que derrubaram o czar.
Acima de tudo, ao reforçar o sionismo, a Inglaterra pretendia garantir o controle do Médio Oriente - diga-se, desde já, que os judeus beneficiaram de um tratamento preferencial, em relação aos árabes…
Para se compatibilizar os interesses dos judeus e dos árabes, era necessário concretizar esses mesmos interesses. É neste contexto que aparecem, em 1916, os acordos de Sykes-Picot, respectivamente , funcionários da Inglaterra e França (esta também tendo interesses na zona) e depois ratificados pelo Czar- isto porque o desmembramento dos vencidos da Grande Guerra é negociado entre a França, a Inglaterra e Moscovo.
Os acordos em causa definem as linhas de partilha do território pelas duas partes e as zonas de influência no Médio Oriente.
Para a Inglaterra, o interesse estratégico colocava-se na seguinte perspectiva: a Palestina protegia o flanco leste do canal do Suez, linha que era vital para as Índias ( colónias inglesas) e a metrópole Por seu turno, o apadrinhamento do sionismo permitia um controle da Terra Santa.
Ao lado das promessas feitas aos judeus, também foram feitas promessas aos árabes.com efeito, o califa otomano (4) que exerce autoridade sobre os territórios árabes do Médio Oriente, juntou-se, em 1914, à Alemanha e ao império austro-húngaro. Como resposta, Londres impulsiona uma revolta dos Árabes contra o império otomano. Em troca, o dirigente religioso (Árabe) Hussein recebe de Londres a promessa de apoiar a independência dos árabes- estava-se, pois, perante dois interesses contraditórios (5).
Digamos, pois, que a origem mediata do conflito situa-se no período à volta da Primeira Guerra Mundial.
O Médio Oriente será partilhado pela Inglaterra e pela França.Com efeito,
Em 1922 a Sociedade das Nações, percursora da ONU, outorga à Grã Bretanha o mandato sobre a Palestina- a SDN outorga a este país a missão de concretizar a declaração de Balfour e adoptada pelas potências aliadas , tendo em vista a criação de uma pátria para os judeus. Os filhos do Xeque Hussein , controlados por Londres, instalam-se nos tronos do Iraque e da Transjordânea ( país criado pelos ingleses a este da Jordânea) , enquanto que os territórios libaneses e sírio serão atribuídos à França, sendo que o Egipto, formalmente declarado independente em 1922, continua sob a ocupação britânica.
Temos, assim, o cenário entre quem se joga os interesses naquela zona: a Inglaterra, que pretende manter o seu controle sobre uma zona estratégica rica em petróleo, com peso crescente no plano económico e militar, o movimento sionista que organiza a imigração para a Palestina e os árabes da Palestina ( ainda não designados de palestinianos)que se começam a mobilizar contra a Declaração de Balfour e , por fim, os países árabes, na sua maioria sob a influência inglesa, que se começam a envolver nas questões palestinianas.

Até aqui, temos pois, que a origem do conflito começa a desenhar-se na Primeira Grande Guerra( muito embora, os Judeus pretendam legitimar o direito ao território situando a sua origem nos tempos bíblicos) e que envolve um conjunto complexo de autores e de interesses contraditórios…


Notas:

1-Não há uma noção comummente aceite de o que é ser árabe e o que é ser judeu. As definições aceites são algo artificiais, sendo definidas por um conjunto de características que envolvem traços físicos (nebulosos) e culturais língua, religião e costumes - é o mais longe que se conseguiu ir, na tentativa de se dar uma definição rigorosa.

2-Movimento sionista- a designação vem de Sião, colina de Jerusalém, sendo que o sionismo é um movimento nascido da segunda metade do século XIX como resposta a uma certa fobia contra os Judeus.
Símbolo do regresso à terra prometida, aonde os Judeus iam em peregrinação a Jerusalém.
O líder do movimento sionista foi Theodor Herzl, que pregava que os judeus só resolveriam o problema do anti semitismo, se os judeus, dispersos pelo mundo, se reunissem e fundassem um estado independente.

3-Influência dos judeus- a partir de certa altura, como se verá, os judeus form impedidos de ter terrs e de se dedicar a certas actividades, daí que eles se especializassem no domínio financeiro.

4-Império otomano – estado que existiu entre 1299 e 1922 e que, no seu apogeu compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do Norte de África e do sudoeste europeu, tendo or capital Constantinopla.

5-Interesses contraditórios- no plano da luta entre árabes e palestinianos, os interesses contraditórios situavam-se tendo em conta que a população árabe era maioritária, sendo que a fundação da pátria israelita era entendida por aqueles como uma invasão do seu território e, na verdade, o país foi criado artificialmente - numa imagem muito grosseira passou-se como se os judeus colocassem umas estacas e delimitassem o que lhes pertencia.


A história da fundação do estado de Israel parece-me muito descrita ao sabor de interesses de legitimação da fundação do estado de Israel, a tal ponto que, neste país, há uma fractura entre os velhos e novos historiadores quanto ao aparecimento do estado de Israel.

Para uma leitura da versão israelita, pode ler-se o livro -Grandes Mentiras, da editorial Occidentalis- o que aproveitei de mais significativo desta , na tentativa de apreender uma visão mais global, foi que é verdade que há colunatos traduzidos em que os judeus compraram terras na zona.Todavia, a falácia, se me é permitido o atrevimento, deve-se a que a compra de terras, por si só, não implica a fundação de uma entidade distinta e qualitativamente superior , justamente um Estado….

Daremos, mais tarde um novo passo - todos nós estamos a aprender…