quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Israel-Palestina- verdades sobre um conflito (6)


Nascimento de Israel


Como se viu, até 1939 a Grã Bretanha favorece sem restrições a instalação de judeus na Palestina. Todavia, a partir daquela data, limita a imigração judaica e proíbe a compra de terras árabes.A razão é que aquele país teme que o reforço da influência judaica enfraqueça a sua influência no Médio Oriente.

Com a Segunda Guerra Mundial, o movimento sionista tenta atrair os milhares de refugiados dos campos de concentração, apelando à criação de um Estado judaico. Por um lado a Europa e os Estados Unidos recusam-se acolhê-los.Por outro, a Grã Bretanha limita a sua imigração para a Palestina.Alem dos setenta mil clandestinos que chegam, a Grã Bretanha bloqueia a ida de mais imigrantes, o que motivou que, em 1945, os dirigentes sionistas denunciassem esse mesmo bloqueio, referindo que significava uma sentença de morte para os judeus judeus libertados dos campos de concentração.

Milhares de judeus alistaram-se no exército britânico, adquirindo experiência militar, sendo criada, por esta potência o Palmah, graças ao temor dos ingleses de uma invasão alemã.Como que , contraditóriamente, a imigração clandestina judaica, radicaliza posições, fazendo com que os grupos armados dissidentes (Irgoun e Lehi) combatessem os britânicos.

É neste clima de contradições que os britânicos decidem (1947) levar a questão Palestina às Nações Unidas- bem implantados nos Estados Unidos, os judeus conseguem atrair a simpatia deste país, fazendo nascer a 17ª comissão encarregada de analisar a questão.A United Special Commitee on Palestine (UNESCOP) reúne os representantes de 11 países .

No local, deparam-se com um país em guerra e martirizado pelo terrorismo judaico, ouvindo, quer os partidários de uma pátria comum ( árabe- judaica) quer os partidários da criação de um estado judaico.Mas três factores vão determinar a opinião da maioria dos membros da Unscop a defender partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel: o sucesso da "colonização", o drama dos clandestinos e a visita aos campos de morte.

Em Julho de 1947, esses mesmos observadores constatam , no porto de Haifa, uma velha embarcação, aonde se encontram 4500 refugiados, entre adultos e crianças, rodeada de barcos de guerra britânicos, que os transferem para outros barcos prisão.
Por outro lado, os observadores ficaram impressionados com o desenvolvimento que os judeus levaram àquela zona, em contraste com os palestinianos.

A resolução 29 de Novembro de 1947 define a solução: O Estado Judaico deverá ocupar 55% da Palestina, com quinhentos mil judeus e 400 mil árabes e o estado árabe deverá ser formado ( no restante território) por setecentos mil árabes e alguns milhares de judeus.

Em 1948 a Inglaterra , que se absteve na votação da dita resolução, decide por fim ao seu mandato em Maio desse ano, mas não permite às Nações Unidas que a substituam , a fim de garantir uma transição pacífica.

Mas , em Dezembro de 1947, começam os confrontos com os árabes e , em 14 de Maio de 1948, Ben Gourion enuncia a criação do Estado de Israel- na sequência de uma guerra que irá durar, entrecortada com breves tréguas, Israel saí vitoriosa.Alargou as suas fronteiras muito para além do definido pelo plano de partilha, ocupando a parte ocidental de Jerusalém e fazendo da mesma a capital do país.

Os palestinianos sempre recusaram o plano de partilha, não só porque os 55% do território era atribuído a uma minoria ( os judeus), como também passavam a ser uma minoria num estado judaico.

É este o drama de um território que nasceu em guerra e vive em guerra...

domingo, 3 de agosto de 2008

Israel- Palestina, verdades sobre um conflito 5




O que é ser Judeu?


Como já se viu, não há um critério objectivo- o critério legal é o de que nasceu de mãe judia, ou se converteu à religião judaica e não pertence a qualquer outra...

Os judeus formam uma nação?

Na definição medieval, nação é um conjunto de pessoas que nasceu num determinado lugar e que tem uma origem comum.- a língua e a religião são alguns dos elementos dessa origem comum; aquilo que os antropólogos modernos chamam de cultura.
A Revolução Francesa marca o nascimento da nação moderna, baseada num conjunto de dados permanentes ao longo dos séculos: comunidade de território, língua, história e cultura.
Todavia, nenhum critério científico permite definir que uma comunidade de pessoas constitui uma nação.

No decurso dos últimos dois milénios os judeus não estiveram ligados nem pelo território, nem pela língua- a maioria adoptou a língua do local aonde se fixou, ficando o hebreu relegado para as cerimónias religiosas, nem pela história, uma vez que as trajectórias nos diversos países seguiram os costumes locais desses mesmos países.Somente na Europa de Leste e na Rússia, dos séculos XVIII e XIX, adquiriram características quase nacionais.

Os Hebreus- a) lenda b) História

A) Lenda

Muito resumidamente, a origem, nesta dimensão, remonta a Abraão, que recebeu a ordem do Senhor para deixar o seu país e família e ir para um país que lhe seria indicado.Abraão instala-se em Siquem, numa localidade hoje conhecida como Napluse. Depois são conduzidos ao Egipto, aonde são reduzidos à escravatura, sendo salvos por Moisés, errando pelo Sinai, aonde Moisés recebe os Dez Mandamentos.Depois instalam-se na Palestina, a terra prometida por Deus.Na nova capital, Jerusalém, eleva-se o Templo..Depois, o Templo é destruído e os Judeus expulsos ou reduzidos à escravidão, até que , em 537, são autorizados a regressar e a reconstruir o Templo...

B) A História

Os romanos conquistaram a Palestina no século I AC.Em 70 D.C., Tito envia um exercito para esmagar a revolta dos Judeus contra Roma e ocupa Jerusalém.sessenta anos mais tarde, Hadrien esmaga outra revolta e os Judeus ( que tinham permanecido)são expulsos da Palestina- a sua Diáspora começa, todavia, no século I A. C: encontram-se em todos os centros mercantis do Mediterrâneo ocidental..Muitas dessas comunidades irão desaparecer ao longo dos séculos, ao fundirem-se com as populações locais.

A condição dos Judeus varia ao longo dos séculos aonde, dispersos pelo mundo, constituem sempre uma minoria.Assim, umas vezes vivem no seio das populações, sem qualquer segregação ou limitação ao nível das profissões.Com as Cruzadas, são impedidos de exercer a posse da terra e dedicam-se aos empréstimos em dinheiro e ao comércio, favorecido pelo contacto com a Diáspora, o que dará lugar a ódios e invejas, fazendo deles bodes expiatórios dos governos.A partir de 1492, com a reconquista muçulmana da Península eles são expulsos desta, refugiando-se, muitos, no império otomano, nomeadamente em Constantinopla.

Com a Revolução Francesa, a dimensão religiosa perde importância e os Judeus emancipam-se.
A tendência para a assimilação será contrariada por uma nova forma de hostilidade em relação aos judeus, o anti-semitismo e pelo desenvolvimento paralelo do movimento sionista.No século XIX esta hostilidade será alimentada por uma nova pretensa ciência, a das "raças"- uma onda de classificação de povos apodera-se do mundo científico e intelectual e os judeus são vítimas destas mesmas doutrinas: assim, os arianos e os semitas constituiriam os 2 povos que teriam estado na origem da civilização e que depois teriam iniciado uma luta feroz.É sobre esta visão que o anti-semitismo se apoia e também no renascer do nacionalismo que varre a Europa, sendo acompanhado pela xenofobia.

Uma imagem dos judeus como um poder silencioso, sempre presente e muito riquíssimo ( não obstante a grande pobreza das massas judaicas) alimenta o anti-semitismo.

O sionismo político surge então, na segunda metade do século XIX, como resposta a esta nova forma de fobia.

Como se viu, o sionismo é o símbolo do regresso à terra prometida ( aqui, recorde-se, estamos no domínio do mito).Em todos os tempos os Judeus iam em peregrinação a Jerusalém.Todavia, o projecto sionista é um projecto espiritual e estatal.São os amantes do Sião quem organiza , a partir de 1881, a primeira vaga de emigração moderna para a Palestina- até 1903, entre 20 e 30.000 pessoas rumam à Palestina..O testemunho foi então tomado pelo sionismo que defende a criação de um estado judaico..Este projecto tem a sua origem não só com o assassinato do Czar Alexandre em que, entre 1881 e 1884, se multiplicam as medidas anti judaicas - aparece o numerus clausus nas universidades, as restrições à liberdade de circulação, a expulsão dos judeus de Moscovo, etc, como também com o caso Dreyfus (em França- 1890) que gera uma onda de anti-semitismo que choca um jovem jornalista, de nome Theodor Herzel (1860- 1904).Preconiza que os judeus formam um povo e devem, portanto, ter um Estado, na Palestina ( sendo que outros já haviam chegado a defender, um Estado a ser criado no Uganda ou na Argentina).

O primeiro congresso sionista tem lugar a 29 de Agosto de 1897.

Por seu turno, na Rússia , no dia 15 de Maio de 1948, aconteceram perseguições que se traduziram em massacres , o que levou á segunda vaga de emigrações para a Palestina.

Após a Primeira Grande Guerra, com o reordenamento dos estados, acabam por ficar dispersos por diversos países.

O movimento sionista foi, durante muito tempo, minoritário.Muitos judeus emigraram para os EUA e para diversos países ocidentais.

O sionismo não é o único movimento organizado dos Judeus.Em 1897 é criado o Bund (União Geral de Operários Judeus da Lituânia,Polónia e Rússia.Seria um concorrente do sionismo, até aos anos 30, afirmando-se nacionalista e socialista, baseando-se em princípios de classe e preconizando uma língua comum -o yiddish.Defendem também uma autonomia político cultural comum, na linha das teorias defendidas pelos que fora designados por " austro-marxistas".mais tarde este movimento será esquecido.

A criação do estado de Israel, consagra a vitória do sionismo, vitória tornada possível pelo anti semitismo hitlariano e o genocídio, apesar de a emigração para Israel ter sido minoritária, tendo a maioria dos judeus preferido emigrar para Nova York ou para outros Estados da Europa.

A visão sionista, apesar de alimentada por ideias socialistas, estava impregnada de uma certa visão colonialista: os judeus acreditavam na sua superioridade e no seu papel motor, ao mesmo tempo que tinham consciência que o que queriam para a Palestina era o mesmo que os árabes....
Notas
Não há um conceito verdadeiramente científico de nação.Dizer o que é uma nação parece ser um conceito com uma boa dose de subjectividade- aceitar que um povo é uma nação está, pois, muito ligado às lutas políticas concretas...
Por outro lado, de salientar que houve várias propostas para locais aonde se fundaria o estado de Israel e ainda que os judeus tinham consciência da oposição dos árabes na zona aonde está o Estado de Israel, a tal ponto que os árabes apelidam a independência de Israel como " a grande catástrofe"...
Por outro lado, em grande parte, a justificação para o local efectivamente escolhido, funda-se numa história mítica do povo judeu naquela zona do globo...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Israel-Palestina, verdades sobre um conflito- 4




Uma longa revolta (1936-1939)


Como se viu, na Palestina, a oposição ao projecto sionista manifestou-se desde bem cedo, levando ao extremar de posições.

Com a subida de Hitler ao poder, a perseguição aos judeus leva à aceleração da emigração de judeus para a Palestina- à medida que esta emigração aumenta, acentua-se a oposição .

Ezzedine Al Quassam, pregador numa mesquita de haifa, condena a violência de 1929 e prepara a revolta armada dos árabes.

Morto em 1935, abre lugar a grandes manifestações .

Em 1936 é criado o Alto Comité Árabe que, pela primeira vez reúne um conjunto de tendências e partidos palestinianos, sendo presidido por Amine El Husseini. Sob a influência deste, a 15 de Abril de 1936 dá-se uma greve que alastra por todo o país e dura 170 dias.

Os grevistas exigem , entre outros, a contenção da emigração de judeus.

O movimento foi suspenso na sequência de um apelo comum dos soberanos da Arábia saudita, da Transjordânia e do Iraque a confiarem nas boas intenções da Grã- Bretanha.

Por seu turno, Londres manda para o terreno uma comissão de inquérito que, a 7 de Julho de 1937 remete o seu relatório, conhecido como " Relatório Peel"- nele é defendida a criação de dois estados, devendo ambos aceder à independência, mas mantendo-se Jerusalém sob mandato britânico.Propõe igualmente a troca de populações para garantir a homogeneidade de ambas as entidades: 225000 árabes passariam da entidade judaica para a árabe, enquanto que 1250 judeus fariam o caminho inverso.Neste relatório é defendido também que, se esta proposta não fosse aceite pelos árabes, ser-lhes -ia imposta.

Indignados, os palestinianos relançam o seu movimento em Setembro de 1937.Desta vez é uma revolta armada, com centenas de grupos que lançam ataques, quer contra as forças britânicas, quer contra os Judeus.Não obstante serem movimentos descoordenados entre si e mal armados, a revolta prolonga-se até 1939.

Esta revolta teve uma influência profunda sobre as partes em conflito: do lado árabe, morreram entre 3 e 6 mil pessoas e houve lugar a milhares de prisões e deportações.Liberta da ameaça de guerra na Europa, a Inglaterra envia milhares de soldados que , na luta para conter a revolta, destrói 2000 casas, prática que será seguida pelos judeus.Os palestinianos, nesta altura, encontram-se privados de uma direcção unitária.Os ódios nascidos dos confrontos internos vão perdurar por muitos anos.Por seu turno, os países árabes irão assumir a causa palestiniana, fazendo passar em primeiro lugar os seus próprios interesses.

Do lado judeu, esta luta leva a um reforço da unidade e da colaboração com os britânicos.Milhares de polícias judeus são recrutados e assiste-se ao desenvolvimento do Haganah e à criação de novas unidades armadas com maior mobilidade, por vezes treinadas pelos britânicos.Criam-se fábricas clandestinas de armamento e nasce o Irgoun que passa à acção terrorista.

O livro Branco

A guerra com a Alemanha faz com que a Inglaterra modifique a sua estratégia, preconizando a criação de 2 Estados no qual se compatibilize posições.

É que a Inglaterra pretende garantir as bases do seu império no Médio oriente.Convencida que pode contar com o apoio dos judeus contra Hitler, Londres pretende conseguir também o dos Árabes.

Neste livro branco prevê-se um período de transição de cinco anos, de forma a garantir a salvaguarda dos interesses de ambas as partes.Mais importante, a imigração dos Judeus será mantida a um ritmo de forma a que a população judaica constitua um terço da população total do território, após o que, qualquer acréscimo dependa do acordo dos palestinianos.O alto comissário britânico é investido de todos os poderes para regulamentar a transferência de terras, ou seja, restringir a sua compra por judeus.Vitória parcial para os palestinianos , mas estes rejeitam o livro Branco.

Do lado judeu, formalmente há acordo.Na prática, porem, aparecem organizações que preconizam a luta contra o " colonialismo britânico" .

Notas

Como se vê, por um lado, há profundas divergências do lado palestiniano, embora se acentue o radicalismo contra os judeus, havendo falta de capacidade de se chegar a um entendimento com os britânicos.

Do lado dos judeus , reforça-se a unidade e começa-se a preconizar a luta contra a Inglaterra.

É um facto que os judeus foram favorecidos pela Inglaterra e que a população árabe no território era largamente maioritária...
Os palestinianos sempre se opuseram à imigração judaica , pois, o aumento desta população ( ainda que minoritária em relação aos árabes) levaria ao acentuar dos desequilíbrios.

Toda a história do nascimento de Israel nasce deste conflito que se tem mostrado insanável...
Haganah- embrião do futuro exército de Israel.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Israel,Palestina- verdades sobre um conflito- 3



Qual é a situação populacional na Palestina ?

Recordando que não há um conceito inequívoco do que é ser árabe e judeu, temos a seguinte distribuição:

Árabes- 600.000 muçulmanos e 7o.ooo cristãos, vivendo , tambem aí, 80.000 judeus

Situação económica

Os camponeses representam 60% da população activa, sendo que menos de 10% possui mais de metade das terras, sobretudo muçulmanos.

A principal actividade económica é a terra, produzindo-se, sobretudo, citrinos, trigo e outros cereais.
Nas cidades uma indústria manufactureira começa a adquirir "notariedade" predominando as classes medias.

Na Palestina a oposição ao projecto sionista começa a manifestar-se antes da guerra, sendo os judeus vistos como invasores .Ademais, os judeus manifestaram certas formas de racismo, considerando os palestinianos como "bárbaros".

Em 1917 a Grã Bretanha ocupa Jerusalém.Por seu turno, a queda do império otomano e a revelação da promessa de Balfour, fazem acentuar a inquietação entre a população árabe.

Com a instauração do mandato britânico sobre a palestina ( 1922) e a " fixação" de fronteiras, a luta passa a desenrolar-se dentro da Palestina , objecto de mandato e os palestinianos passam a exigir a constituição de um governo nacional que será reponsável perante um parlamento eleito por todos os que residiam na Palestina antes da guerra, mas já era tarde, uma vez que o mandato internacional conferido à inglaterra entrou em vigor.

Até 1939 a Inglaterra incentivou a instalação de judeus na Palestina e a sua organização autónoma.Com efeito, a partir de 1917 (data da ocupação inglesa de Jerusalém) instalou-se uma administração britânica e uma administração independente sionista.O Yishouv ( designação dada à comunidade judaica na Palestina) inicia o caminho para o nascimento de Israel.

É que o texto do mandato previa uma entidade judaica que funcionaria como interlocutora da entidade mandatária- esta, na pratica, irá funcionar como uma espécie de governo sombra, que se dedica , entre outros, à aceleração do processo de imigração, considerando ( a entidade mandatária) que os sionistas são os únicos interlocutores com competência para escolher os candidatos- as formalidades terão lugar nas instalações do movimento sionista por todo o mundo, e não no consulado britânico. Na prática, pois, a inglaterra esteve um pouco à margem do processo, no sentido em que quem estava no terreno conjecturou " muita coisa" por sua própria iniciativa- daí o ter-se falado em governo sombra.

De onde vieramos judeus que se foram instalar na Palestina? Vêm sobretudo da Rússia e da Europa central, fugindo dos massacres de que foram alvo.

Em 1928, 155 .000 judeus estão instalados na Palestina.Através do fundo Nacional Judeu, a compra de terras constitui um dos objectivos fundamentais do movimento sionista.São criadas colónias agrícolas e intensifica-se a criação dos Kibboutz.

Em 1920 é fundado o Haganah, uma organização de milicias judaicas que está na origem do futuro exército de Israel.

A comunidade judaica da Palestina (Yishouv) impõe a língua hebraica em detrimento do Yidish, língua falada pela maioria dos emigrantes da europa de leste e cria uma organização política autónoma.A partir de 1920 os britânicos autorizaram a eleição de uma espécie de parlamento, com o seu próprio organismo externo, o VAAD LEUMI (Conselho Nacional).

Enquanto que nos anos 20 o centro de decisão do movimento sionista se encontrava no exterior, no início dos anos 30 passa para a PalestinaTodas estas instituições, bem organizadas, beneficiam do apoio da potência colonial- é, deste modo, quase naturalmente que, em 1948, se vão tornar num estado moderno e eficaz.

A única arma que os palestnianos têm face aos judeus é o seu número , mas a unidade na rejeição do mandato vai durar pouco.Com efeito, os britânicos exploraram as rivalidades entre famílias palestinianas- se, por um lado os palestinianos rejeitam as propostas da potência mandatária que não reflitam os equilíbrios demográficos, rejeitam igualmente a criação de uma agência palestiniana (à imagem da agência judaica) que viria a legitimar o direito político dos judeus na Palestina.Por outro lado, hesitam em enfrentar directamente a política dúplice da Grã- Bretanha.Isto enfraqueceu os palestinianos, não obstante a frustração das massas se tenha traduzido na existência de motins.

Notas:

Oposição ao projecto sionista- inicialmente os palestinianos não pensavam na criação de um estado.Foi esta oposição ao projecto que levou à defesa de um estado palestiniano.

Fixação de fronteiras- é um facto que as fronteiras do Estado de Israel foram criadas artificialmente.E foram , ora aumentadas, ora retraídas, de tal modo que continua a ser o ponto de discórdia fundamental que se verifica nas negociaçãoes israelo- palestinianas.

Hoje, os palestinianos vivem numa espécie de duas ilhas que lhes asfixiam qualquer possibilidade de desenvolvimento, sendo, a mais pequena, a Faixa de Gaza.
É um facto que os ingleses foram um dos principais responsáveis por um problema de quase impossível resolução- Israel nasceu com a guerra e sempre tem estado em guerra, quer com os palestinianos, quer com os países vizinhos.

Residiam- a maioria da população da zona era árabe, o que motivou os israelitas a perseguições em massa.O objectivo era a expulsão de todos os árabes, que só não foi totalmente levada a efeito, devido ao facto de israel ter sofrido a condenação das Nações Unidas.Ainda hoje existem, nos países vizinhos, campos de refugiados...

Massacre dos Judeus- com a Segunda guerra Mundial, os Judeus foram um povo martirizado.Isto facilitou a receptividade da comunidade internacional ao projecto de fundação de uma pátria para os judeus (Israel).Claro que, como quase sempre se verifica, de massacrados, tão bem aprenderam a lição, que passaram a ser quem levou a efeito massacres de consequências dolorosas para os palestinianos...

Haganah- os israelitas, ao mesmo tempo que negociavam com os ingleses, tambem os combatiam no terreno e exploraram a ira dos palestinianos para impeir acordos de paz com os palestinianos.Sempre foi assim e, ainda hoje, sempre que há negociações de paz ( sob a mediação dos EUA) acontecem atentados que levam ao extremar de posições

Kibboutz- cooperativas agrícolas ou vilas comunitárias, fundadas sobre o princípio da igualdade.
inicialmente agrícolas, passaram a dedicar-se , tambem, a actividades industriais.

Agência palestiniana- a exploração de rivalidades enfraqueceu fortemente a comunidade árabe e levou à criação de diferentes movimentos, como a OLP ou o Hezbolah...
É um facto que a existência de rivalidades, hábilmente explorada, leva à perda da consistência de projectos políticos...

Hoje , o que é a Palestina?( Talvez melhor o território palestiniano árabe) Um território administrado pela autoridade palestiniana.Não é um país, estando fortemente dependente da ajuda internacional, incluíndo a israelita. Quase que é mais fácil definí-lo pelo que não é...
Façamos uma pausa
Até aqui vimos, sinteticamente, a origem do conflito israelo- palestiniano.Havemos de continuar...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Israel, Palestina- verdades sobre um conflito- 2





A Inglaterra era uma potência colonial, com presença no Médio oriente. Quase no final da 1º Grande Guerra Mundial (1917), o ministro inglês, Arthur James Balfour, assinou uma declaração que ficou conhecida como”Declaração Balfour”.
O objectivo daquela declaração era compatibilizar os interesses dos judeus com os árabes (Ver nota 1).
Pelo lado dos judeus acolhe a visão sionista(2).Na verdade a influência dos judeus (3) era tida como muito acentuada e pretendia-se desencorajar quer os judeus americanos, tidos como simpatizantes do império austro-húngaro (aliado da Alemanha) , quer os judeus da Rússia que eram militantes das organizações revolucionárias que derrubaram o czar.
Acima de tudo, ao reforçar o sionismo, a Inglaterra pretendia garantir o controle do Médio Oriente - diga-se, desde já, que os judeus beneficiaram de um tratamento preferencial, em relação aos árabes…
Para se compatibilizar os interesses dos judeus e dos árabes, era necessário concretizar esses mesmos interesses. É neste contexto que aparecem, em 1916, os acordos de Sykes-Picot, respectivamente , funcionários da Inglaterra e França (esta também tendo interesses na zona) e depois ratificados pelo Czar- isto porque o desmembramento dos vencidos da Grande Guerra é negociado entre a França, a Inglaterra e Moscovo.
Os acordos em causa definem as linhas de partilha do território pelas duas partes e as zonas de influência no Médio Oriente.
Para a Inglaterra, o interesse estratégico colocava-se na seguinte perspectiva: a Palestina protegia o flanco leste do canal do Suez, linha que era vital para as Índias ( colónias inglesas) e a metrópole Por seu turno, o apadrinhamento do sionismo permitia um controle da Terra Santa.
Ao lado das promessas feitas aos judeus, também foram feitas promessas aos árabes.com efeito, o califa otomano (4) que exerce autoridade sobre os territórios árabes do Médio Oriente, juntou-se, em 1914, à Alemanha e ao império austro-húngaro. Como resposta, Londres impulsiona uma revolta dos Árabes contra o império otomano. Em troca, o dirigente religioso (Árabe) Hussein recebe de Londres a promessa de apoiar a independência dos árabes- estava-se, pois, perante dois interesses contraditórios (5).
Digamos, pois, que a origem mediata do conflito situa-se no período à volta da Primeira Guerra Mundial.
O Médio Oriente será partilhado pela Inglaterra e pela França.Com efeito,
Em 1922 a Sociedade das Nações, percursora da ONU, outorga à Grã Bretanha o mandato sobre a Palestina- a SDN outorga a este país a missão de concretizar a declaração de Balfour e adoptada pelas potências aliadas , tendo em vista a criação de uma pátria para os judeus. Os filhos do Xeque Hussein , controlados por Londres, instalam-se nos tronos do Iraque e da Transjordânea ( país criado pelos ingleses a este da Jordânea) , enquanto que os territórios libaneses e sírio serão atribuídos à França, sendo que o Egipto, formalmente declarado independente em 1922, continua sob a ocupação britânica.
Temos, assim, o cenário entre quem se joga os interesses naquela zona: a Inglaterra, que pretende manter o seu controle sobre uma zona estratégica rica em petróleo, com peso crescente no plano económico e militar, o movimento sionista que organiza a imigração para a Palestina e os árabes da Palestina ( ainda não designados de palestinianos)que se começam a mobilizar contra a Declaração de Balfour e , por fim, os países árabes, na sua maioria sob a influência inglesa, que se começam a envolver nas questões palestinianas.

Até aqui, temos pois, que a origem do conflito começa a desenhar-se na Primeira Grande Guerra( muito embora, os Judeus pretendam legitimar o direito ao território situando a sua origem nos tempos bíblicos) e que envolve um conjunto complexo de autores e de interesses contraditórios…


Notas:

1-Não há uma noção comummente aceite de o que é ser árabe e o que é ser judeu. As definições aceites são algo artificiais, sendo definidas por um conjunto de características que envolvem traços físicos (nebulosos) e culturais língua, religião e costumes - é o mais longe que se conseguiu ir, na tentativa de se dar uma definição rigorosa.

2-Movimento sionista- a designação vem de Sião, colina de Jerusalém, sendo que o sionismo é um movimento nascido da segunda metade do século XIX como resposta a uma certa fobia contra os Judeus.
Símbolo do regresso à terra prometida, aonde os Judeus iam em peregrinação a Jerusalém.
O líder do movimento sionista foi Theodor Herzl, que pregava que os judeus só resolveriam o problema do anti semitismo, se os judeus, dispersos pelo mundo, se reunissem e fundassem um estado independente.

3-Influência dos judeus- a partir de certa altura, como se verá, os judeus form impedidos de ter terrs e de se dedicar a certas actividades, daí que eles se especializassem no domínio financeiro.

4-Império otomano – estado que existiu entre 1299 e 1922 e que, no seu apogeu compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do Norte de África e do sudoeste europeu, tendo or capital Constantinopla.

5-Interesses contraditórios- no plano da luta entre árabes e palestinianos, os interesses contraditórios situavam-se tendo em conta que a população árabe era maioritária, sendo que a fundação da pátria israelita era entendida por aqueles como uma invasão do seu território e, na verdade, o país foi criado artificialmente - numa imagem muito grosseira passou-se como se os judeus colocassem umas estacas e delimitassem o que lhes pertencia.


A história da fundação do estado de Israel parece-me muito descrita ao sabor de interesses de legitimação da fundação do estado de Israel, a tal ponto que, neste país, há uma fractura entre os velhos e novos historiadores quanto ao aparecimento do estado de Israel.

Para uma leitura da versão israelita, pode ler-se o livro -Grandes Mentiras, da editorial Occidentalis- o que aproveitei de mais significativo desta , na tentativa de apreender uma visão mais global, foi que é verdade que há colunatos traduzidos em que os judeus compraram terras na zona.Todavia, a falácia, se me é permitido o atrevimento, deve-se a que a compra de terras, por si só, não implica a fundação de uma entidade distinta e qualitativamente superior , justamente um Estado….

Daremos, mais tarde um novo passo - todos nós estamos a aprender…


terça-feira, 15 de julho de 2008

Israel, Palestina, verdades sobre um conflito

Autor: Alain Gresh

Editora- campo de Letras, 2002



Descrição geral




O livro descreve o conflito israelo- palestiniano, buscando as suas origens e evolução de modo a alcançar uma visão global sobre o mesmo.

Esta leitura será colocada de modo faseado, sendo numerada sequencialmente, de modo a permitir uma visão articulada
O conflito israelo-palestiniano, é um dos grandes conflitos que permanece desde a Segunda Guerra Mundial e tem interesse para a compreensão do que se passa naquela zona do globo.

Ele é o resultado da confluência entre a história do povo judeu e árabe e os interesses das grandes potências, sobretudo, a Inglaterra, a França e os Estados Unidos.

Tentar-se-à sintetizar ao máximo, colocando-se notas que facilitem a sua compreensão, razão pela qual se evitará a tentação fácil de terminar o mais rapidamente possível.