quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Israel-Palestina- verdades sobre um conflito (6)


Nascimento de Israel


Como se viu, até 1939 a Grã Bretanha favorece sem restrições a instalação de judeus na Palestina. Todavia, a partir daquela data, limita a imigração judaica e proíbe a compra de terras árabes.A razão é que aquele país teme que o reforço da influência judaica enfraqueça a sua influência no Médio Oriente.

Com a Segunda Guerra Mundial, o movimento sionista tenta atrair os milhares de refugiados dos campos de concentração, apelando à criação de um Estado judaico. Por um lado a Europa e os Estados Unidos recusam-se acolhê-los.Por outro, a Grã Bretanha limita a sua imigração para a Palestina.Alem dos setenta mil clandestinos que chegam, a Grã Bretanha bloqueia a ida de mais imigrantes, o que motivou que, em 1945, os dirigentes sionistas denunciassem esse mesmo bloqueio, referindo que significava uma sentença de morte para os judeus judeus libertados dos campos de concentração.

Milhares de judeus alistaram-se no exército britânico, adquirindo experiência militar, sendo criada, por esta potência o Palmah, graças ao temor dos ingleses de uma invasão alemã.Como que , contraditóriamente, a imigração clandestina judaica, radicaliza posições, fazendo com que os grupos armados dissidentes (Irgoun e Lehi) combatessem os britânicos.

É neste clima de contradições que os britânicos decidem (1947) levar a questão Palestina às Nações Unidas- bem implantados nos Estados Unidos, os judeus conseguem atrair a simpatia deste país, fazendo nascer a 17ª comissão encarregada de analisar a questão.A United Special Commitee on Palestine (UNESCOP) reúne os representantes de 11 países .

No local, deparam-se com um país em guerra e martirizado pelo terrorismo judaico, ouvindo, quer os partidários de uma pátria comum ( árabe- judaica) quer os partidários da criação de um estado judaico.Mas três factores vão determinar a opinião da maioria dos membros da Unscop a defender partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel: o sucesso da "colonização", o drama dos clandestinos e a visita aos campos de morte.

Em Julho de 1947, esses mesmos observadores constatam , no porto de Haifa, uma velha embarcação, aonde se encontram 4500 refugiados, entre adultos e crianças, rodeada de barcos de guerra britânicos, que os transferem para outros barcos prisão.
Por outro lado, os observadores ficaram impressionados com o desenvolvimento que os judeus levaram àquela zona, em contraste com os palestinianos.

A resolução 29 de Novembro de 1947 define a solução: O Estado Judaico deverá ocupar 55% da Palestina, com quinhentos mil judeus e 400 mil árabes e o estado árabe deverá ser formado ( no restante território) por setecentos mil árabes e alguns milhares de judeus.

Em 1948 a Inglaterra , que se absteve na votação da dita resolução, decide por fim ao seu mandato em Maio desse ano, mas não permite às Nações Unidas que a substituam , a fim de garantir uma transição pacífica.

Mas , em Dezembro de 1947, começam os confrontos com os árabes e , em 14 de Maio de 1948, Ben Gourion enuncia a criação do Estado de Israel- na sequência de uma guerra que irá durar, entrecortada com breves tréguas, Israel saí vitoriosa.Alargou as suas fronteiras muito para além do definido pelo plano de partilha, ocupando a parte ocidental de Jerusalém e fazendo da mesma a capital do país.

Os palestinianos sempre recusaram o plano de partilha, não só porque os 55% do território era atribuído a uma minoria ( os judeus), como também passavam a ser uma minoria num estado judaico.

É este o drama de um território que nasceu em guerra e vive em guerra...